segunda-feira, 19 de março de 2012

Os artistas em preto e branco

Esse final de semana assisti, com algumas amigas, o aclamado ‘O Artista’. Por não se tratar de um gênero que eu goste bastante, confesso que fui ao cinema sem grandes expectativas e estava um tanto alheia ao filme, sem saber exatamente do que se tratava. Assim que me aboletei na cadeira, uma das minhas colegas me disse que se tratava de um filme mudo. Logo pensei: “Oh Deus, onde fui me meter?”. É com uma enorme satisfação que digo: meti-me em um dos mais maravilhosos longas que já vi.

Embora em preto e branco e quase, completamente, sem som, deletei-me com uma história repleta de sutilezas e de sensibilidade, que fez com que eu passasse, facilmente, dos risos às lágrimas. ‘O Artista’ conta o declínio de George Valentin, um ator que fazia filmes mudos, consagradíssimo em 1927, e que, com a inclusão do som da fala dos personagens, perde espaço para atores mais jovens. O detalhe é que um desses jovens atores é Peppy Miller, uma moça que fez figuração em um de seus filmes, e pela qual o ator sentiu-se atraído.

A partir daí, a vida de Valentin se torna um verdadeiro inferno. Buscando mostrar que os filmes mudos e, principalmente, ele ainda têm vez, o artista produz um longa que acaba se tornando um fracasso, sendo esmagado pelo filme estrelado pela concorrente ‘faladeira’ Peppy Miller. Afundado em dívidas, o ator é deixado pela esposa e só pode contar, agora, com seu fiel cãozinho e com o dedicado motorista. Dentre os percalços enfrentados pelo protagonista estão, ainda, o alcoolismo e acidentes que quase o mataram.

As relações interpessoais, a capacidade de deixar o orgulho de lado, amizade e o verdadeiro amor são tópicos abordados no longa que ganhou 5 estatuetas da Academia, incluindo as de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator. O telespectador que deixa o cinema, após ver a película, sai leve, feliz e tocado. Todos nós podemos ser artistas e driblar os problemas das nossas vidas, confiando nos amigos, permitindo nos apaixonar e buscando a felicidade, sempre.

‘O Artista’ está nas principais salas de cinema de Salvador. Confira a programação completa em www.cineinsite.com.br.

Silvio Santos – o artista do Brasil em preto e branco

Pulando da telona para a telinha, assustei-me com o visual do dinossauro da TV brasileira, Silvio Santos. O apresentador, que comanda um programa dominical batizado com o seu nome, apareceu, desde a semana passada, com um look diferente: Silvio assumiu seus cabelos brancos e estava parecendo um verdadeiro avô.

Mesmo sabendo que o dono do SBT tem mais de 80 anos, as tinturas e o excesso de maquiagem nunca permitiram que o público o enxergasse como o idoso que é. Posso apostar que, assim como eu, diversos telespectadores ficaram perplexos com o velhinho que brincava com a plateia diante de nossos olhos.

Como a maioria sabe, Silvio foi camelô e teve que passar por muito perrengue para chegar aonde está e, assim como 'O Artista', o apresentador soube reconhecer as oportunidades e as agarrou, alçando longo voo pela carreira televisiva.

Essa mudança, a meu ver, é positiva, uma vez que comprova que pessoas mais velhas têm vez na televisão brasileira, até porque, quando se é um ícone, um artista, não importa a idade, o público vai reconhecê-lo como tal e lhe dará o devido apoio e, também, audiência.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Suruba na telinha – Rede TV! e Bandeirantes, o 69 da televisão brasileira

Todo mundo sabe que o famoso troca-troca televisivo ocorre nos mais diferentes segmentos. É galã que sai da Globo e vai para a TV do bispo (Rede Record); é apresentador que deixa programa e volta a fazer novelas; é empresário famoso que vai para a emissora de Silvio Santos e deixa de apresentar o programa que o consagrou. Enfim, no mundo da telinha tem de tudo. A bola da vez é a ida de toda a trupe do Programa Pânico na TV! para a Rede Bandeirantes (os integrantes romperam o contrato com a RedeTV! e assinaram com a Band sem aviso prévio, em janeiro deste ano), enquanto o polêmico Rafinha Bastos, ex-integrante do CQC (programa exibido às segundas pela mesma Band), após um período de jejum televisivo - por conta de declarações, no mínimo, polêmicas o humorista foi afastado da atração e pediu demissão-, assina com a Rede TV! para comandar um programa espelhado no norte-americano Saturday Night Live. A versão brasileira foi licenciada pela Endemol, que já produziu versões na Espanha e no Japão.

Acredito que a ida de Bastos para a emissora de Osasco - a sede da Rede TV fica na cidade paulista - será como uma espécie de tiro no pé. A empresa não vive o melhor momento após perder os direitos de transmissão da Série B do Brasileiro, que acarretou, de acordo com a própria Rede TV!, numa redução de cerca de R$ 30 milhões de receita por ano. Além disso, outros R$ 15 milhões teriam deixado de encher o cofrinho da Rede TV! em virtude da perda dos direitos do UFC para a platinada TV Globo.

O humorista já provou que leva o desejo de ser polêmico a níveis perigosos. Além de fazer piadas sobre mulheres feias terem que agradecer aos estupradores, pois esses estariam lhes fazendo um favor, Bastos brincou com gente graúda: falou, ao vivo, no horário nobre, que gostaria de "comer" Wanessa Camargo e o bebê, que ainda não havia nascido - Wanessa teve o primeiro filho, do casamento com o empresário Marcus Buaiz, em janeiro deste ano - e descascou o abacaxi de um processo movido pela cantora.

O pessoal do Pânico, por outro lado, vai para uma emissora que conseguiu estabelecer o CQC como um dos programas humorísticos mais vistos e mais renomados do Brasil e que, por si só, tem mais telespectadores do que a Rede TV!, o que parece ter sido uma decisão acertada. De acordo com a mídia nacional, os humoristas do Pânico (dentre eles Sabrina Sato, Emílio Surita, Eduardo Sterblitch, Márvio Lúcio e Rodrigo Scarpa) puderam romper, mais facilmente, o contrato com a Rede TV! porque os salários não estavam sendo pagos em dia.

Agora, só nos resta esperar e ver no que vai dar essa ‘suruba’ televisiva. Não quero ser a 'urubulina' que prevê que tudo vai dar errado, mas, em minha opinião, aonde vai o dedo podre do grosseiro Rafinha Bastos, nada pode dar certo.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Copa em Salvador – o verdadeiro apocalipse

A caminho de mais uma aula da Pós-Graduação passei pelas obras da Arena Fonte Nova, espaço multiuso construído para a Copa 2014, que será realizada no Brasil. Fiquei impressionada com o aparente bom andamento das obras. De acordo com José Luiz Góes, diretor de engenharia da Arena Fonte Nova, – em entrevista ao portal Ibahia – o complexo estará pronto ainda em dezembro deste ano. Questionado sobre a fase em que a construção se encontra, o engenheiro foi taxativo: “Na verdade, digamos, a parte mais difícil é de dar a partida na obra. Ela foi vencida no momento em que se concluiu a fundação, mas outros desafios estão vindo e têm seus graus de dificuldade também. A cobertura é um item de grande relevância, será uma das primeiras do nosso país”. Vale lembrar que serão investidos, na Arena, R$597 milhões e o novo estádio terá capacidade para 55 mil pagantes.

É um alívio saber que ao menos algo consegue ir para frente na província em que se transformou Salvador, mas falta tanto para que a cidade esteja, a meu ver, apta a receber um evento deste porte, dispensando condições dignas de mobilidade e acessibilidade, tanto aos visitantes, quanto à população residente. Na verdade, o que me deixou mais intrigada e indignada, confesso, foi lembrar e constatar que nenhuma outra intervenção infraestrutural exigida, inclusive, pelo comitê da Federação Internacional de Futebol (FIFA) está sendo executada, a exemplo do lendário metrô de Salvador, que conta, diga-se de passagem, com apenas seis quilômetros de extensão. Entre veículos leves sobre trilhos (VLT), o sistem Bus Rapid Transit (BRT), aeromóvel e abundante papo-furado, muito já foi especulado para a transformação da capital baiana, porém pouquíssimo foi feito para que esta realidade seja alcançada.

Para ligação com a Região Metropolitana, através do município de Lauro de Freitas, cogitou-se um sistema misto, formado por VLT na Avenida Luís Vianna Filho, popularmente conhecida como Paralela, e ônibus nas vias secundárias. Já o aeromóvel, projeto mirabolante do inacreditável João Leão, chefe da Casa Civil municipal, custaria R$90 milhões e contaria com uma linha de três quilômetros de trem suspenso ligando a Estação da Calçada ao Comércio.

Fala-se em uma quantia de aproximadamente R$5 bilhões para ser aplicada em obras de infraestrutura conectadas com o megaevento. Integram o rol de intervenções, a reforma e a ampliação do aeroporto internacional e a construção de uma via expressa, milagrosamente em execução, entre o porto e a principal rodovia de acesso à cidade, a BR-324. A área de segurança e o setor hoteleiro deverão ser beneficiados com recursos públicos e privados.

Nada mais certo do que o passar do tempo. Os gestores da cidade parecem esquecer esse detalhe e vem empurrando, com a barriga, tomadas de decisão que resultem em mudanças efetivas para Salvador. O anúncio que formalizou a realização de um dos maiores eventos esportivos do mundo no Brasil, galgando a Soterópolis como cidade-sede foi feito em 2009. Mais de três anos já se passaram e, enquanto isso, o que vemos são engarrafamentos estratosféricos, ônibus superlotados, pouca fiscalização e inúmeros buracos nas vias da cidade.

Copa em Salvador? Acho que vai ser que nem aquele filme, um 'Apocalipse Now'. Oremos!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Dando bandeira nos Bandeirantes – Empreiteira desrespeita cidadãos

Em busca de hábitos mais saudáveis, resolvi voltar do trabalho caminhando todos os dias. O percurso que faço é relativamente longo: saio do Pelourinho em direção à Baixa dos Sapateiros; passo pela Estação Aquidabã; entro na Avenida Djalma Dutra; sigo pela Ladeira dos Bandeirantes; adentro no bairro Vila Laura, onde resido, e, após 40 minutos de ladeiras, buracos, buzinadas e até cantadas indesejadas, chego à minha casa.

Com os fones de ouvido, seja escutando uma das rádios locais, seja curtindo a batida das minhas músicas favoritas, esse trajeto se torna rápido e, mesmo com os percalços que citei acima, agradável. O que eu não poderia imaginar é que haveria um, ou melhor, vários obstáculos que tirariam a paz da minha caminhada nas últimas semanas.

Em função de um empreendimento imobiliário, batizado de Fórmula Residencial Brotas, cuja obra está sendo realizada há cerca de um ano, inúmeros caminhões-betoneira (veículos que fazem a mistura do concreto utilizado nas construções) ficam ocupando a via local - Ladeira dos Bandeirantes -, impedindo o tráfego regular de carros, motos, ônibus e até mesmo dos pedestres.

Nessa última semana, flagrei nada menos do que quatro destes veículos estacionados ao longo da área da construção. Fiquei sem saber se passava entre os muros e os caminhões, que liberavam excessiva fumaça preta, pois estavam em funcionamento, ou se passava pela rua, dividindo espaço com os imensos ônibus e com impacientes motociclistas.

Fiquei tão incomodada com aquilo que resolvi fotografar a cena para deixar registrado e fui à procura de dados da legislação municipal que me explicassem como era possível que um empreendimento privado interferisse tanto na vida da sociedade. Sei que se trata de algo de proporções minimizadas, mas ainda assim acho que os cidadãos, não importa quantos sejam, devem ser respeitados.

De acordo com o artigo 47 do Código de Obras de Salvador, toda construção deve, entre outras coisas, seguir os seguintes parâmetros: I - manter os trechos de logradouros adjacentes à obra permanentemente desobstruídos e limpos; III - evitar o ruído excessivo, principalmente nas vizinhanças de hospitais, escolas, asilos e estabelecimentos semelhantes, obedecidos os parâmetros fixados na Lei nº 2.455/73.

Posso estar enganada, mas creio que os parágrafos acima citados são desrespeitados pela empreiteira Consil, executora da obra, uma vez que, de maneira alguma, os logradouros estão desobstruídos. Muito pelo contrário, estão, como eu disse anteriormente, impedindo a circulação normal dos componentes do trânsito.

Entende-se que a cidade está num total estado de abandono e que é pedir demais, sendo a Prefeitura “comandada” pelo “competentíssimo” João Henrique, que haja uma fiscalização eficiente. Mas nós, cidadãos, temos que ter o direito de usar os artifícios que dispomos para tentar modificar ou, pelo menos, chamar a atenção para as coisas que não concordamos. Eu, como jornalista, utilizo esta ferramenta para denunciar esse tipo de coisa. Engraçado que o slogan do empreendimento é “A fórmula para você morar bem”. Deviam fazer uma frase de efeito mais completa: “A fórmula para você morar bem e atazanar a vida de quem não quer e nem vai morar lá”.

Alô, próximo prefeito! Eu sei que, como diria o nobre deputado Tiririca, “pior que tá não fica”, mas a população soteropolitana está mais consciente e nós estaremos de olho. #Ficaadica!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

DJ´s de Buzu: 8ª praga bíblica

Para chegar ao trabalho tenho que pegar um ônibus todos os dias. Apesar de o trajeto ser relativamente curto, há tempo suficiente para se estressar. Ao entrar no coletivo, hoje pela manhã, me deparei com um rapaz ouvindo um ‘pagodão’ naquelas insuportáveis caixas de som portáteis. Sem se preocupar com a saúde auricular dos outros passageiros, o fã da Black Stile – banda baiana que mistura o som do cavaquinho com as batidas marcantes do funk carioca – ecoava a agitada música pelo buzu (apelido dado pelos soteropolitanos ao transporte coletivo) inteiro, com um volume tão elevado, que mesmo estando com os dois fones de ouvido, também com o som alto, eu conseguia ouvir cada verso da canção. Não fosse a violência que impera na capital soteropolitana, eu teria ido reclamar com o jovem, manifestando a minha insatisfação com o desrespeito dispensado aos demais usuários do transporte de massa.

Desde o lançamento desse terrível emissor de som, é possível observar, nos ônibus que circulam por Salvador, todo tipo de caixinhas portáteis: coloridas, com formatos que imitam os mais diversos bichos, com acabamento em madeira... Enfim, há uma variedade que parece não acabar mais. Os preços também variam. Nos sites de compra, é possível observar equipamentos que custam de R$19 a R$ 100 e que acumulam potência de até 28 watts.

Quem inventou o equipamento não pensou que ele seria usado de maneira inconveniente e, muito menos, que seria utilizado em meios de transporte público. As pessoas fazem brincadeiras sobre campanhas para disseminar a não-utilização das pequenas caixas de som em locais públicos, mas eu creio que a Prefeitura Municipal de Salvador deveria, de fato, mergulhar de cabeça na questão, que, a meu ver, é um caso de bem-estar público e, acima de tudo, de respeito com o próximo.

No ano passado, um projeto de Lei, elaborado pelo vereador David Rios, foi encaminhado à Câmara Municipal da cidade Salvador, com o intuito de vetar a utilização das incômodas caixas de som, pelos denominados DJ´s do Buzu, nos coletivos que circulam pela cidade e também por localidades adjacentes. A iniciativa indica que o governador Jaques Wagner envie à Assembleia Legislativa da Bahia uma proposta, acompanhada do projeto de lei, proibindo o uso indiscriminado dos equipamentos sonoros. Caso seja sancionada, a lei exterminará as músicas altíssimas dentro dos ônibus, e o passageiro que não respeitá-la estará sujeito a sanções.

Só nos resta orar para que a medida seja aceita pelos deputados. Não é possível continuarmos reféns da péssima música, disseminada em alto e bom tom, indiscriminadamente dentro de veículos que somos obrigados a entrar para garantir o sustento de cada dia.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Racismo às avessas - Nega do cabelo duro é barrada em Camaçari por deputada do PT

Quem diria que, após 26 anos de seu lançamento, a música ‘Fricote’, eternizada pelo cantor baiano Luiz Caldas, seria alvo de polêmica? A deputada Luiza Maia (PT) fez um anúncio, nesta quarta-feira (21/12), no qual informou que entrará com uma moção de repúdio ao artista, por ele ter tocado a canção, que leva no refrão o verso “nega do cabelo duro, que não gosta de pentear”, durante apresentação no 1º Festival de Jazz e Blues de Arembepe, distrito de Camaçari. Vale salientar que a política é autora de um projeto de lei que visa proibir o poder público de contratar bandas cujas letras possam ser ofensivas às mulheres.


Eu sempre comento com meus amigos que, às vezes, os mais racistas e sexistas são os próprios defensores das raças e sexos que enxergam preconceito em tudo que veem. A música, lançada em 1985, é um ícone da cultura baiana e foi escrita num período que reinava a inocência e molecagem, ao contrário da sociedade individualista e maliciosa que temos nos dias de hoje.


Se essa tal deputada deseja coibir atos de violência e ofensas contra as mulheres, que ela crie uma lei ainda mais rigorosa que a Maria da Penha, o que eu duvido, aliás, que ela seja capaz de fazer. Não é buscando mecanismos mesquinhos e ínfimos que o total respeito às mulheres será alcançado.


Sabe o que eu acho graça? Essas novas bandas de pagode baiano que estão estouradas por aí tratam as mulheres como se todas fossem verdadeiras vadias, no pior sentido da palavra, e exibem, durante os shows, cenas chocantes, como a simulação de um ato sexual entre os vocalistas e as indóceis fãs. E aí, deputada Luiza Maia? Isso não te incomoda, não? Será que isso não é mais ofensivo do que um verso, composto há mais de duas décadas, sobre uma negra de “cabelo duro”?


Um dos singles da banda A Bronkka, por exemplo, traz na letra a épica frase: “Eu vou tomar banho de rio/ Eu vou pescar e comer piranha/ Eu vou tomar banho de rio/ Eu quero ver você...”. Percebam que a letra faz uma clara alusão a uma mulher, que segundo eles é uma piranha, no popular uma mulher ordinária.



É claro que as mulheres e todos os seres humanos devem ser respeitados. No entanto, é preciso definir prioridades e realizar ações que, de fato, contribuam para a mudança de mentalidade de certas pessoas que se acham melhores que outras, não só por conta das genitálias que possuem, mas também pelo status social, credo, raça, opção sexual etc.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Estação da caca: Lapa permanece em situação degradante

Por conta de um evento para o qual fui designada a ir pelo trabalho, tive que pegar ônibus na Estação da Lapa neste início de semana. O que vi me deixou extremamente horrorizada: chão úmido e sujo; escadas com cocô humano coberto por areia; lixo por todo o canto; e um ambiente tão sinistro, mas tão sinistro, que poderia servir como cenário de filme de terror.

Essa situação degradante pode ser vista nos pavimentos que ficam acima do solo, entretanto, o nível subterrâneo consegue ser ainda pior. Eu nunca tive que pegar o transporte coletivo no subsolo da estação, mas descobri que o ônibus que passa pela rua em que resido resgata os passageiros neste nível do terminal. A cada passo que eu dava, o odor fétido ia inundando minhas narinas e a crescente escuridão me dava a sensação de estar num porão de um navio negreiro.

É triste observar que um equipamento tão cheio de história e tão importante para a população soteropolitana está, literalmente, sitiado. Aquilo lá não tem o gostinho de ser, verdadeiramente, ADMINISTRADO há muito tempo! Como diria o criativo Zeca Baleiro, a Estação da Lapa está como um " barco sem porto, sem rumo, sem vela, cavalo sem sela" e a situação, infelizmente, tende a piorar.

Estamos, praticamente, no final da gestão do prefeito paspalho João Henrique e não será agora que ele irá realizar qualquer mudança. Muito pelo contrário. A prefeitura é tão consciente da sua incapacidade para gerir, que anunciou, em setembro deste ano, que Elevador Lacerda, Estação da Lapa e planos inclinados Gonçalves, Pilar e Liberdade/Calçada deverão ser privatizados. A justificativa dada pelo secretário municipal de Transportes é a de que é preciso melhorar a qualidade de atendimento para que se possa praticar um preço justo e, assim, a população tenha condições de pagar e os custos operacionais sejam cobertos, para que Salvador tenha os equipamentos, em questão, adequados.

Os impostos que pagamos servem para quê mesmo? Ah... Lembrei! Para colocar no bolso desses incompetentes, enquanto temos que circular pela cidade utilizando estruturas no mínimo inadequadas, sentindo cheiro de mijo e esgoto.

Fazer o quê, cidadão?